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Bebidas energéticas ameaça à saúde.

Os energéticos, como são genericamente chamados, são bebidas que contêm substâncias estimulantes, predominantemente a cafeína. O consumo tem crescido vertiginosamente em todo o mundo nos últimos anos e a sua ingestão, de forma indiscriminada, principalmente por adolescentes e adultos jovens, tem preocupado as autoridades de saúde em vários países. Dezenas de trabalhos científicos têm sido publicados, com resultados que sugerem um efeito potencialmente prejudicial à saúde, parte deles atribuído ao excesso de cafeína.

Em recente encontro da Associação Americana do Coração, foram apresentados resultados de uma análise de trabalhos publicados que avaliavam o possível impacto dos energéticos sobre a saúde. As pesquisas realizadas em indivíduos jovens sadios entre 18 e 45 anos demonstram que as bebidas energéticas podem alterar o ritmo cardíaco e aumentar a pressão arterial.

Considerando que o metabolismo da cafeína é mais lento durante a puberdade devido ao aumento natural do hormônio de crescimento, essa faixa etária estaria mais vulnerável aos efeitos adversos da cafeína, dentre eles dor de cabeça, insônia, náusea e vômito, impaciência e irritabilidade.

Dentre os motivos que levam os jovens a consumir este tipo de bebida estão a estimulação que deixaria o indivíduo mais alerta, a pressão dos amigos e a suposta melhora de desempenho esportivo.

A combinação destas bebidas com álcool tem se tornado frequente entre jovens em festas e bares, o que pode causar problemas adicionais.

O conjunto de evidências científicas até agora conhecidas são suficientes para estimular a estratégia de precaução no consumo deste tipo de bebida e reforçam a necessidade de uma indicação pelos fabricantes de potenciais efeitos adversos, com a finalidade de proteger os consumidores, principalmente os mais jovens.


Referência Bibliográfica

*American Heart Association Meeting Report - Abstract #P324 - March 21, 2013
*Journal of Public Health Policy advance online publication, 14 March 2013; doi:10.1057/jphp.2013.6
*Nutrition Reviews 2013 Mar;71(3):135-48. doi: 10.1111/nure.1200
*Paediatric Child Health. 2012 February; 17(2): 101

Hipertensão e alimento industrializado.

A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular (infarto) e acidentes vasculares cerebrais (derrame). Estas doenças estão no topo do ranking das causas de morte prematura. Portanto, combater a hipertensão é uma forma eficaz de diminuir estas mortes. Por este motivo o controle da hipertensão arterial é um dos objetivos principais a ser atingido pelas políticas de saúde pública no mundo inteiro. Dentre as abordagens para este controle, a principal está relacionada com estilo de vida, onde dieta adequada e atividade física servem como os pilares destas políticas.

No que tange à dieta, a atenção dos pesquisadores, historicamente, tem se concentrado no sal. Existe uma série de evidências que comprovam que o excesso de sal na dieta moderna exerce um papel preponderante na causa da hipertensão. Considerando que em torno de 75% do sal ingerido na dieta provém de alimentos industrializados ou processados, o controle da ingestão de sal está se tornando cada vez mais difícil.

Agora, um novo aspecto vem sendo agregado à relação entre hipertensão e alimentos processados. Um estudo publicado no início de dezembro na revista científica Open Heart alerta para a entrada em cena de um novo personagem, presente, também em grande quantidade, no alimento processado (mesmo que muitas vezes não seja percebido) - este vilão é genericamente chamado de açúcar. São os carboidratos refinados - sacarose, glicose, frutose ou mesmo amido, que se degrada nestes açúcares simples. O estudo sugere uma série de mecanismos biológicos pelos quais estes açúcares, já bem conhecidos como fatores de risco para doenças metabólicas, podem também ser diretamente responsáveis pelo desenvolvimento da hipertensão arterial.

A principal preocupação dos pesquisadores é que a indústria alimentícia, ao ser pressionada para reduzir a quantidade de sal nos alimentos processados, tem aumentado, como compensação, a quantidade de açúcar nestes alimentos. Desta forma, as campanhas de redução de sal não surtiriam efeito, ao contrário, potencialmente poderiam aumentar o risco de hipertensão.

Se sua pergunta agora é: - Como sei o que é alimento processado ou industrializado? A resposta é simples: é processado ou industrializado todo o alimento que vem em embalagem, em lata ou em vidro.

E, no que diz respeito a açúcares dos diferentes tipos, os refrigerantes e os sucos adoçados são os mais ameaçadores à sua saúde!

Dê sempre preferência aos alimentos in natura, integrais, e o menos refinado possível.

Referência Bibliográfica
-Open Heart -2014;1:e000167. doi:10.1136/openhrt-2014-000167

Dieta do Mediterrâneo é a resposta para viver mais e melhor.

A dieta do mediterrâneo é um padrão alimentar típico das populações que vivem próximas ao mar mediterrâneo (sul da Europa) e que possuem vários elementos em comum, como o consumo preponderante de frutas, legumes, nozes, grãos integrais, peixe e óleo de oliva. Os benefícios à saúde da dieta do mediterrâneo já estão bem evidenciados em diversos trabalhos científicos, que demonstram efeitos como redução da mortalidade, aumento da longevidade e redução de doenças crônicas.

Resultados de uma nova pesquisa vêm somar-se a este já amplo contingente de evidências científicas favoráveis à esta dieta. A novidade deste novo estudo é a abordagem genética dos efeitos da dieta do mediterrâneo. A pesquisa, publicada no dia 2 de dezembro na revista British Medical Journal, teve como objetivo examinar se existe alguma associação entre a aderência à dieta do mediterrâneo e o tamanho dos telômeros.

Os telômeros são biomarcadores do envelhecimento e consistem de sequências repetitivas de DNA nas porções finais dos cromossomas.

Os telômeros sofrem um enfraquecimento natural pelos processos de divisão celular, tornando-se progressivamente menores com a idade, motivo pelo qual eles funcionam como um marcador de longevidade. O enfraquecimento dos telômeros pode ser acelerado por estresse oxidativo e inflamação. Telômeros curtos estão associados com uma menor expectativa de vida e uma maior probabilidade do indivíduo desenvolver doenças crônicas relacionadas com a idade. Alguns estudos sugerem que o padrão de enfraquecimento dos telômeros é modificável e que fatores relacionados com estilo de vida podem atuar sobre o seu encurtamento, independentemente da idade.

A pesquisa analisou dados de 4676 mulheres saudáveis que respondiam a um detalhado questionário sobre a alimentação, sendo atribuído um escore de 0 a 9 para a aderência à dieta do mediterrâneo (9 representando maior aderência) e faziam um teste sanguíneo, de onde foi extraída a medida do comprimento dos telômeros dos leucócitos.

Além da idade (mulheres mais jovens apresentaram telômeros maiores) houve uma associação significativa entre o comprimento dos telômeros com a aderência à dieta do mediterrâneo. Cada ponto no escore da dieta correspondeu a uma redução de 1,5 ano na idade do telômero. Curiosamente, não houve associação entre a ingestão dos itens da dieta ingeridos individualmente, sugerindo que o efeito favorável só é alcançado com o conjunto de elementos da dieta.

Este estudo confirma os benefícios da dieta do mediterrâneo sobre a promoção da saúde e a longevidade.

Referência Bibliográfica
-British Medical Journal 2014;349:g6674 doi:10.1136/bmj.g6674.