Buscando a notícia para você desde 2007 - Região dos Lagos - Ano 2015 -

A difícil escolha: Saboroso ou Saudável

Ao escolher os alimentos que vão consumir as pessoas se defrontam com opções que muitas vezes vêm associadas a um dilema: a satisfação imediata proporcionada pelo paladar ou o bem-estar e saúde duradouros produzidos pelos alimentos sabidamente saudáveis.

A epidemia mundial de obesidade e diabete tipo II, com suas nefastas consequências para a saúde e consequente redução do tempo de vida, fez com que os formuladores de políticas de saúde em todo o mundo produzissem um grande número de campanhas de conscientização por uma alimentação mais saudável. No entanto, estas campanhas têm se demonstrado ineficazes na contenção do crescimento destas doenças.

Para tentar esclarecer as possíveis razões para o fracasso destas campanhas foi realizado um interessante estudo que expõe o conflito entre o saudável e o saboroso. A análise centrou-se nos aspectos intuitivos e cognitivos envolvidos na escolha do alimento. A pesquisa foi publicada na última semana na revista Journal of Public Policy & Marketing.

No estudo os participantes podiam escolher entre iogurtes com diferentes quantidades de açúcar e gordura. Os resultados revelam que o fato do indivíduo saber a composição e o potencial dano que aquele alimento pode causar à saúde não é suficiente para ele definir a sua escolha.

Mesmo entre os participantes que previamente apresentavam uma preocupação em ingerir alimentos saudáveis, o principal fator que guiou as escolhas foi o sabor. Esta tendência foi mais acentuada naquele grupo que não tinha preocupação prévia em saber se o alimento era saudável ou não. A escolha consciente depende de um controle cognitivo que, no mais das vezes, é superado por um processo intuitivo que faz a opção pelo mais saboroso.

O fator determinante sobre a escolha de um alimento é o sabor, independente se a pessoa é preocupada ou não com o efeito deste alimento sobre a saúde. E, o que é pior, aumentar a conscientização sobre os efeitos do tipo de alimento aparentemente não influencia na escolha.

O que fazer então? Ficamos à mercê da nossa intuição atávica pelo mais saboroso ou travamos uma luta contínua usando a razão pelo mais saudável?

Vale lembrar que esta questão está associada aos alimentos industrializados (que nos estilo de vida atual é a forma preponderante de alimentação) e, para conquistar seus clientes, a indústria alimentícia, por meio da química, está provocando cada vez mais nossa intuição.

Ainda bem que os nossos bons cozinheiros comprovam que não estamos completamente perdidos. É possível sim comer um alimento que ao mesmo tempo é saudável e saboroso. Qual é o segredo? - Quanto menos industrializado o alimento, melhor!


Referência Bibliográfica
-Journal of Public Policy & Marketing-January 2015 - http://dx.doi.org/10.1509/jppm.14.006



Sedentarismo pode ser mais prejudicial que obesidade

O nível de atividade física tem sido associado de forma consistente com a redução do risco de mortalidade por todas as causas. Estudos prévios sugerem que a atividade física protege contra morte prematura em pessoas com índice de massa corporal normal, mas não elimina o risco aumentado de morte nas pessoas com índice de massa aumentado.

Para aprofundar o conhecimento sobre a associação entre atividade física, obesidade e morte por qualquer causa um grupo de cientistas ingleses realizou uma pesquisa onde dados sobre atividade física, peso, altura e circunferência abdominal, foram coletados de 334 mil indivíduos adultos de ambos os sexos. Os participantes da pesquisa foram acompanhados por um período de 12 anos e a análise dos dados foi usada para estimar a importância da atividade física como um fator independente para proteção contra morte prematura. Além disso, os resultados permitiram estimar o ganho em expectativa de vida produzido pela atividade física, mesmo em pessoas obesas. A pesquisa foi publicada na revista científica American Journal of Clinical Nutrition em 14 de janeiro.

O estudo demonstra, de uma maneira geral, que uma atividade física, mesmo que discreta, diminui as chances de morte prematura quando comparada com sedentarismo. Os pesquisadores estimam que o exercício que gasta de 90 a 110 calorias por dia poderia reduzir o risco de morte prematura entre 16 e 30%. Este efeito benéfico da atividade física moderada é mais pronunciado entre pessoas de peso normal, entretanto, mesmo nas pessoas com sobrepeso e obesidade foi observado um benefício.

O fato de ser um estudo prospectivo, acompanhado por um longo período de tempo e com um grande número de participantes torna as conclusões mais robustas. Destas conclusões, avalia-se que o número de mortes ligadas ao sedentarismo pode ser duas vezes maior do que às mortes ligadas a obesidade.

A atividade física regular, mesmo em pequena quantidade, é um fator decisivo para a promoção da saúde e redução do risco de morte prematura, mesmo em pessoas com sobrepeso e obesidade.

Estas evidências contribuem para ajudar as pessoas que apresentam um eventual desânimo produzido pela dificuldade de reduzir o peso, diminuindo com isso a vontade de realizar atividade física.

Mesmo sem observar um resultado objetivo na balança, a atividade física estará contribuindo para reduzir o risco de morte prematura nestas pessoas.

Referência Bibliográfica
-American Journal of Clinical Nutrition - January 14, 2015 as doi: 10.3945/ajcn.114.100065.



Grãos integrais demostram mais beneficio à saúde

Os benefícios à saúde de uma dieta rica em grãos integrais já são bem conhecidos. A alta ingestão de grãos integrais está associada a um menor risco de doenças crônicas como diabete tipo 2 e doença cardiovascular. Entretanto, pouco se sabe sobre o efeito deste tipo de alimentação sobre a mortalidade.

Ou pouco se sabia! Na última semana foi publicada online uma pesquisa na revista científica JAMA Internal Medicine. O objetivo do estudo foi investigar a associação entre o consumo de grão integrais na dieta e o risco de mortalidade.

Os dados foram obtidos de dois grandes estudos de longo prazo onde mais de 118 mil pessoas foram acompanhadas de 1986 a 2010. Os participantes preenchiam questionários sobre a sua ingestão de grãos integrais a cada 2 a 4 anos.

Os resultados mostraram uma clara evidência que nos grupos que ingeriam maior quantidade de grãos integrais a mortalidade no período foi menor, chegando a ser 33% menor nos grupos de maior ingestão quando comparados com os de menor ingestão. Estes resultados permitem inferir que uma dieta rica em grãos pode colaborar para a saúde e extensão do tempo de vida.

As razões que levam os alimentos integrais a serem mais saudáveis estão associadas à composição dos grãos e a alteração desta composição produzido pelo refino quando ocorre a industrialização. Um grão integral é composto de três partes: a casca ou pericarpo, que dá origem ao farelo, o germe e o endosperma. A casca é rica em fibras que torna a digestão mais lenta, impedindo aumentos bruscos do açúcar no sangue. Além disso, tanto a casca quanto o germe contém um grande número de vitaminas, minerais, nutrientes e antioxidantes. Estima-se que o refinamento dos grãos, que ficam sem a casca e o germe, produz uma perda de 25% da proteína e 17 nutrientes contidos no grão integral.

Um fator adicional no benefício à saúde é que a ingestão de grãos integrais produz uma sensação de saciedade, o que diminui a ingestão calórica total e colabora decisivamente para o controle do peso.

Sendo assim, arroz integral, quinoa, aveia, farinha integral e seus alimentos derivados são ótimas opções para uma vida longa e com boa saúde.

Referência Bibliográfica

-JAMA Internal Medicine January 05, 2015. doi:10.1001/jamainternmed.2014.6283

O Risco da Reposição Hormonal

Resultados de um estudo publicado online no dia 29 de março na revista científica Journal of the National Câncer Institute reforçam as preocupações sobre os riscos da reposição hormonal em mulheres menopáusicas. Esta nova análise confirma a associação entre reposição hormonal com estrógeno mais progesterona e o aumento da incidência de câncer de mama, especialmente quando a reposição hormonal é iniciada próximo ao período da menopausa.

A ligação entre reposição hormonal e câncer de mama já havia sido demonstrada em outros estudos. O fato novo exposto por esta análise, que incluiu cinco estudos com mulheres pós-menopáusicas de 50 a 79 anos, é que as mulheres que iniciam a reposição poucos meses após o início da menopausa têm o seu risco de desenvolver câncer de mama muito aumentado (risco em torno de três vezes maior) quando comparado com o risco das mulheres que iniciam o tratamento dez anos após a menopausa (as quais, por sua vez, também têm um risco maior que as mulheres que não fazem reposição hormonal alguma, porém não tão alto). Por contar nesta análise com um número maior de mulheres que iniciaram a reposição logo após a menopausa foi possível detectar este grande aumento de risco com a reposição precoce.

Em outros estudos que igualmente apontaram para um risco na reposição hormonal, este risco maior com a reposição precoce não era possível de ser observado porque a maioria das mulheres naqueles estudos iniciava a reposição, em média, dez anos após o início da menopausa.

Outro dado que esta análise adiciona à discussão é o de que não houve diferença na sobrevida após o diagnóstico entre as mulheres com cânceres de mama ligados à reposição e àquelas que desenvolveram cânceres não ligados à reposição, contrariando alguns estudos anteriores que sugeriam que os cânceres de mama ligados à reposição hormonal eram de melhor prognóstico.

Estes novos resultados confirmam estudos prévios que demonstram que a reposição hormonal está associada a um aumento do risco de câncer de mama, e apresentam novas evidências de que: A) estes cânceres ligados á reposição hormonal não têm melhor prognóstico dos que os outros cânceres de mama, e, principalmente, B) que quanto mais cedo é iniciada a reposição após a menopausa maior é o risco.

Este conjunto de observações inserem novos argumentos no diálogo indispensável entre as mulheres e seus médicos sobre os prós e os contras da reposição hormonal durante a menopausa, avaliando-se, por um lado, as limitações produzidas pelos sintomas da menopausa, e, por outro, a ponderação das evidências de um risco aumentado de desenvolver câncer de mama, evidências estas confirmadas e ampliadas a cada nova pesquisa científica publicada.

Referência Bibliográfica

Journal of the National Cancer Institute – Advanced Access – March 29, 2013 – DOI: 10.1093/jnci